Resumo do artigo: O que mudou na Família Brasileira? (Da colônia à atualidade)

SAMARA, E. M. O que mudou na Família Brasileira? (Da colônia à atualidade). Psicologia USP, v. 13, n. 2, p. 27-48, 2002.

 

            Os estudiosos da família brasileira sempre concluíram um modelo segundo a obra de Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala (Freyre, 1987). Mas essa imagem de família extensa e patriarcal nem sempre foi o único modelo real, ou o mais dominante no Brasil.

            Os estudos acadêmicos recentes têm mostrado um quadro da família divergente do tradicional, e que nos tempos contemporâneos esse quadro pode ter modificado mais fortemente. Temos realmente uma nova família no Brasil, neste momento? A complexidade dessa pergunta requer um estudo mais firme e histórico.

            Do primeiro Censo Geral do Brasil (1872) até o censo de 1996 se verificou um aumento na porcentagem de mulheres (de 48,40% para 50,79%), em algumas áreas urbanas a população feminina é dominante. A participação populacional das mulheres na sociedade brasileira sempre foi muito marcante, bem como sua participação nos postos de trabalhos e na liderança de várias famílias, predominantemente nas áreas urbanas e em regiões de grande exponencial econômico. Em 1995, por exemplo, as mulheres representavam 39,88% do número total de indivíduos com ocupações formais.

            Apesar da grande participação das mulheres, tanto na liderança das famílias (principalmente das famílias pobres), quanto na ocupação dos postos de trabalhos até desde muito tempo atrás (em 1872 as mulheres representavam 26,35% da força de trabalho), elas nem sempre gozaram plenamente dos seus direitos políticos, e os homens por muito tempo eram juridicamente declarados como responsáveis e líderes para vários assuntos.

            Outro quadro revelado pelas estatísticas e que contradizem Freyre (1987), á quanto a forma das famílias, que segundo ele eram majoritariamente extensa e patriarcal. Em 1836 as famílias nucleares representavam 35,4%, contrapondo 1,2% de famílias extensas, e em 1991 as famílias nucleares e compostas juntas representavam 79,27%.

            O que se tem visto pelas estatísticas é que as famílias variam conforme suas realidades culturais, sociais e econômicas ao redor. E que uma visão uniforme da composição e prática familiar brasileira, mesmo em relação ao passado, está longe de representar a realidade, uma vez que ela é complexa e multifacetada. O grande desafio da academia hoje é continuar os estudos a cerca da família, e ultrapassar os resultados estritamente históricos e estatísticos.

harlon.romariz@advir.com

Referências Complementares

BARICKMAN, Bert Jude. Um contraponto baiano. São Paulo: Civilização Brasileira, 2003.

PAIVA, Eduardo França. Escravos e libertos nas Minas Gerais do Século XVIII. São Paulo: Annablume, 1995.

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